VARÍOLA BOVINA POR MURILO BRUNOW F. JUNIOR

22/09/2010 08:33

 

VARÍOLA BOVINA

 

 

 

O surgimento da Varíola Bovina no Brasil foi registrado por pesquisadores nas décadas de 50 e 70. Ocorrendo de forma esporádica nos estados da região Sudeste, sendo que na década de 90 surtos de uma enfermidade semelhante à Varíola Bovina foram relatados nas seguintes regiões: Vale do Paraíba (SP), município de Cantagalo (RJ), Zona da Mata Mineira e no Mato Grosso do Sul.

Esses surtos atingiram um grande número de propriedades, acarretando consideráveis prejuízos econômicos, devido à queda da produção leiteira; além de prejuízos sociais, com o afastamento dos ordenhadores do trabalho devido às lesões nas mãos dos mesmos.

Surtos da doença têm sido detectados no estado de Rondônia, tendo sido identificados nos municípios de Ji-Paraná, Ouro Preto D’Oeste, Campo Novo de Rondônia, Ariquemes, Cacaulândia, dentre outros; o que torna suma importância o conhecimento desta zoonose para técnicos da área agrária, produtores rurais e profissionais que atuam em saúde pública.

 

O que é a Varíola Bovina?

 

O termo “Varíola Bovina” é utilizado para descrever uma doença contagiosa caracterizada pelo aparecimento de lesões cutâneas localizadas no úbere e tetos das vacas em lactação. Causada por um vírus; afetando bovinos de diferentes faixas etárias, sabidamente vacas em lactação e bezerros em fase de amamentação.

 

Como a Varíola Bovina é transmitida?

 

A transmissão entre animais ocorre principalmente por meio das mãos dos ordenhadores ou equipamentos de ordenha mecânica. A penetração do vírus ocorre por meio de feridas nas tetas e úbere das vacas.

 

A Varíola Bovina pode ser transmitida ao homem?

 

Sim.

A doença passa de um animal contaminado para o homem quando ocorre:

 

ü Contato das mãos do ordenhador no momento da ordenha com as feridas dos úberes e tetos das vacas doentes;

 

Quais são os sintomas da Varíola Bovina?

 

Nos animais:

Nos animais, a ocorrência de sinais clínicos tem sido restrita às vacas em lactação e aos bezerros que mamam nas vacas doentes. Sendo comum nos surtos um grande número de vacas lactantes apresentarem a doença.

Nas vacas surgem pequenas lesões que evoluem para manchas, que então se transformam em vesículas e crostas escuras nos tetos e mais raramente no úbere. Essas feridas cicatrizam dentro de 15 a 20 dias.

É comum a ocorrência de mamite e infecções secundárias na vaca.

Nos bezerros as feridas aparecem na boca, no focinho e nos lábios. Porém, localizam-se principalmente na gengiva e raramente nos lábios e na região do focinho.

No homem:

Em humanos a doença se caracteriza por feridas ulcerativa e com formação de pus, principalmente nas mãos. Essas lesões se parecem com os conhecidos “furúnculos”. As feridas podem aparecer nos antebraços e face, além de febre, dor e mal-estar.

 

 

Quais os prejuízos causados pela Varíola Bovina?

 

ü Dificuldade de ordenhar as vacas;

ü Queda na produção de leite;

ü Ocorrência de mamite;

ü Transmissão para o bezerro;

ü Transmissão para o homem e o afastamento do ordenhador do trabalho;

ü Queda na produção de leite;

ü Emagrecimento dos bezerros devido às lesões nos tetos das vacas.

 

Como podemos nos prevenir da doença e tratar os animais doentes?

 

Até o momento, não existe vacina no mercado.

 

Não existe tratamento específico para o combate ao vírus; mas sim, um tratamento dos sintomas da doença apresentados pelos animais.

 

Abaixo são listadas as principais medidas para prevenção e controle da doença:

 

ü Separar as vacas doentes e ordenhá-las por último;

ü Utilizar luvas para ordenhar as vacas;

ü Limpar e desinfetar as mãos e luvas do ordenhador, entre a ordenha de cada vaca, com solução de cloro a 5.000 ppm (por exemplo; 01 litro de água sanitária misturado em 03 litros de água). Deve-se adotar o seguinte esquema: lavar as mãos com água e sabão, em seguida passá-las na solução de água sanitária e, por último, enxaguá-las com água limpa;

ü Utilizar o iodo glicerinado nas lesões do úbere, não deixando o bezerro mamar por um período mínimo e 2 horas após a aplicação do produto;

ü As pessoas acometidas devem procurar um posto de saúde local;

ü Interromper o trânsito de vacas em lactação e bezerros em aleitamento até a cura completa de todo o rebanho;

ü Informar a existência de animais com sintomas no escritório da IDARON mais próximo.

 

Para que sejam eliminados quaisquer riscos com o consumo do leite, recomenda-se que o leite seja fervido ou pasteurizado.

 

Para maiores informações, procure a unidade da Agência IDARON de seu município.

 

Murilo Brunow Freitas Junior

FISCAL DE DEFESA SANITÁRIA AGROSILVOPASTORIL

MÉDICO VETERINÁRIO – CRMV/RO: 0450

ULSAV ARIQUEMES