ANA CRISTINA N. CARIÊLO

12/05/2011 12:09

 

 

FAZENDA FAVACHO

 

 A formação de uma raça: mangalarga marchador

 

 

ANA CRISTINA NOGUEIRA CARIELO

A história das fazendas que deram início à criação do cavalo mangalarga marchador confunde-se com a história da raça e, mais ainda, com o desenvolvimento pecuário de Minas Gerais. Construindo uma vida de dedicação às atividades agropecuárias, todos que de maneira criteriosa contribuíram para seleção e aprimoramento desses animais fez do mangalarga marchador o que ele é hoje: um cavalo sem fronteiras.
A Fazenda Faracho, uma das mais antigas da região, é adquirida por João Francisco Junqueira Filho. A data de fundação e construção de sua sede não é precisa, mas acredita-se que ela tenha cerca de 250 anos. João Francisco casa-se com Maria Inácia do Espírito Santo Ferreira e juntos, tem oito filhos. Destes, dois merecem atenção especial: Francisco Antônio Junqueira e José Frausino Junqueira. José Frausino, juntamente com seu tio, Gabriel Francisco, é um dos principais personagens da história do mangalarga marchador. Sem medir esforços, trabalha pelo aperfeiçoamento da raça, de maneira rígida e criteriosa. É um dos primeiros e o mais famoso caçador de veados da família Junqueira. Desse hábito, aprende as vantagens de cavalgar em animais marchadores, por serem mais cômodos e também ágeis para atravessas rios, pular obstáculos e fazer viagens longas.
Na Fazenda Campolindo, cuja cede construída em 1870 guarda até hoje a arquitetura, mobília e objetos da época, João Bráulio Fortes Junqueira empreende várias atividades ligadas à pecuária. Responsável pela instalação da primeira fábrica de laticínios da região, desenvolvendo seu rebanho com qualidade e perfeição. Sendo grande conhecedor de cavalos, José Bráulio seleciona uma tropa refinada, de muita caracterização racial.
 

PORTAL DE ENTRADA FAZ. TRAITUBA

A Fazenda Traituba, também situada no município de Cruzília, foi construída por volta de 1827 para hospedar o Imperador D. Pedro I, que, devido aos acontecimentos políticos que marcaram seu reinado, não chegou a concretizar sua visita à Traituba. O principal garanhão da linhagem Traituba é "Pegazo, um filho do famoso Belline". A Fazenda colaborou muito para a divulgação efetiva da raça mangalarga marchador.
Ainda no sul de Minas, há a fazenda Angahy. Suas origens remontam aos fins do século XVIII, quando José Garcia Duarte, descendente de uma das legendárias ilhoas, vem se estabelecer em terras próximas da freguesia de Encruzilhada, as margens do rio de mesmo nome. Um dos sementais do criatório Angahy é o garanhão Caxias I. Esse animal, nascido e criado na Fazenda Luiziana, em Leopoldina, nos finais do século passado, deixando vários descendentes entre os rebanhos na região, implementando a marca "C", destacando sua caracterização da raça.
Entre as antigas fazendas sul-mineiras, que viriam a constituir os pilares da raça mangalarga marchador, temos a Fazenda Bela Cruz, situada à margem esquerda do rio Angaí, com sua sede construída no século XVII.
O passado da Bela Cruz é marcado por um trágico episódio. Em 13 de maio de 1833, um grupo de escravos invade a fazenda, assassinando toda a família de José Francisco e matando também um sobrinho, filho de seu irmão, o Barão de Alfenas. Depois desse horrível acontecimento, descendentes do Barão, que já tinham parte na fazenda, passaram a dirigi-la. Bela Cruz manteve a filosofia de criar os animais soltos e em pastos, mantendo a rusticidade e o andamento marchado.
Continuando o percurso pelas fazendas responsáveis pela formação do mangalarga marchador, também no sul de Minas, aqui, no município de São Vicente de Minas, a fazenda Engenho de Serra. A fazenda fez sua seleção de cavalos, visando à lida na fazenda com o gado e também as caçadas, selecionando seus animais com a intuição e esperança de quem tem o cavalo como um fiel companheiro.
Engenho de Serra, fixando as características docilidade, beleza, andamento sempre em marcha. Os garanhões Herdade, Baluarte, Seta Caxias são bases da raça.
Foi assim que os primeiros fazendeiros lançavam as bases que fazem até hoje do mangalarga marchador, um cavalo rústico e versátil, que, rasgando as fronteiras do Brasil, parte para a conquista do mercado internacional.

 

 

 

 

 


 


 


 


 


 

 

ANA C. NOGUEIRA

M.G/BRASIL

COLUNISTA

 

Pra mim é uma enorme alegria poder estar aqui e falar um pouquinho sobre essa raça que hoje chamamos carinhosamente de mangalarga machador, o cavalo sem fronteiras ou o cavalo do mundo. O mangalarga é uma raça que vem conquistando o mundo cada vez mais. Em março de 2011, foi realizada, na Alemanha, a maior feira equestrestre do mundo, a Equitana, reunindo mais de quarenta raças das mais variadas partes do mundo, e o Brasil esteve lá representando muito bem nosso querido mangalarga. Decidi criar, por causa da influência de alguns amigos criadores e também por causa de meus filhos que são apaixonados pela raça, a qual oferece à cavaleiros, amazonas e crianças uma satisfação plena em competições, cavalgadas, enduros, e hipismo, e também na lida na fazenda. o mangalarga responde muito bem à qualquer prova funcional. Sempre que possível me junto à um grupo de amigos e fazemos uma cavalgada, são horas de muito prazer e descontração, passando por lugares maravilhosos, vencendo limites. Essa integração do homem e o cavalo, é sempre prazerosa, aproximando as pessoas, não importando a cor, o nível social, nada. O mangalarga, hoje, vem desenvolvendo também um excelente papel na ecoterapia, ajudando crianças com problemas mentais e por ser um cavalo dócil e muito inteligente, e com andamento equilibrado, vem obtendo um grande sucesso. Convido a todos, se possível, ter o prazer de conhecer e montar num mangalarga machador. Deixo aqui meu abraço e meus sinceros agradecimentos à revista Wrangler, por me deixar falar um pouquinho sobre esse animal tão querido.
 


 


 


 


 


 

 Ana Cristina Nogueira Cariêlo.

M.M.MACHADOR