CAVALO MANGA LARGA

 A história do cavalo manga larga talvez seja uma das mais bem documentadas quando se trata do processo de surgimento de uma nova raça. O fato é que diversas raças tem origens bastante duvidosas e às vezes, a decisão quanto à origem parecem mais política do que técnica. No decorrer de milhões anos no processo evolutivo do cavalo pode se dizer que ele é hoje um animal totalmente distinto daquele que é considerado pelos cientistas como seu ancestral mais distante: o Hyracotherium (Eohippus). Os estudos paleontológicos conduzidos por renomados estudiosos sobre o assunto presumem que sua origem dada de cerca de 60 milhões de anos na região norte da America e parte da Europa. Ao longo de milhares de anos o cavalo migrou para a Ásia e foi se espalhado pelo resto do mundo, onde se deparou com as condições mais adversas da natureza na qual se viu obrigado a adaptar-se paulatinamente, fatores que de certa forma contribuíram sobremodo para a formação das diversas raças cada uma com suas particularidades e usos pelo homem.

No Brasil o cavalo foi introduzido por Tomé de Souza em 1523 quando permitiu a vinda deles para a Vila de São Vicente para uso de tração, transportes e montaria. Contudo, nessa época o manga larga ainda não existia como raça. Havia sim os cavalos dos nobres portugueses do Brasil colônia da coudelaria Alter Real que deu origem a raça.

A farta documentação histórica nos dá conta de que por volta de 1843 um amigo do Rei D. João VI, Barão de alfenas (Gabriel Francisco Junqueira) recebeu um garanhão da coudelaria imperial para iniciar seu plantel. Ao chegar à Fazenda Campo Alegre, no sul de Minas, o barão ordenou que aquele padreador fosse acasalados com as melhores éguas comuns que existiam na fazenda. As características do andar macio do Alter foram passadas para a nova geração daquelas éguas criolas, que por sua vez, deram origem a um cavalo com andar cômodo e de porte elegante.  Segundo a visão da ABCCMM, o mangalarga padrão deve ter as características morfológicas bem definidas como: Cabeça triangular e pescoço piramidal, tronco forte e costelas bem arqueadas sendo mediolíneo com altura mínima de 1.47 e máxima de 1.57. Mas a altura considerada ideal seria 1.52.  

Como toda raça traz em seu bojo um bocado de lendas que se mesclam com verdades e fantasias dos seus criadores sobre a origem do nome, com o mangalarga não poderia ser diferente. Os entusiastas da raça defendem que o termo Manga Larga passou a ser usado por um fidalgo fazendeiro que havia se apaixonado pelos cavalos da Família Junqueira e encantado pela beleza dos cavalos comprou alguns exemplares e os levou para a sua propriedade chamada de Fazenda Manga-Larga localizada em Pati de Alferes, no Rio de Janeiro. A partir desse momento da história os cavalos que eram comercializados por esse fazendeiro começaram a ser denominados cavalos da Manga-Larga ou Mangalarga.

Mais tarde, devido à forma em que os cavalos eram criados pelos mineiros do sul e os paulistas houve uma divisão em relação quanto ao andar. Àqueles de minas passou a ser chamados machadores, uma vez que o mangalarga paulista conservou o trote.