HISTÓRIA DO TOURO BACKUP

Um negócio de 2 bilhões pode ir "saco".

É um paradoxo, mas como já era de se esperar, aqueles que fizeram da raça Nelore uma grife de reputação mundial, não tardariam macular o trabalho dos visionários que foram buscá-lo na Índia. Certamente que Manuel Lemgruber ao comprar o primeiro casal de nelore num jardim zoológico em Hamburgo na Alemanha em 1877 jamais imaginou que aquela raça exótica se tornaria o maior rebanho de gado de corte do Brasil, tampouco os primeiros brasileiros a importá-lo da índia entre 1900 e 1920. Bom lembrar que os primeiros exemplares eram bem diferentes dos atuais depois do melhoramento genético que se segui ao longo destes 130 anos. Deve-se muito a caracterização do Nelore moderno ao importador Ravisio Lemos que na década de 1930 já sonhava com uma raça forte e lucrativa quando começou a expansão dos seus negócios revendendo matrizes nelores. E o que dizer do trabalho de uma vida inteira dedicada ao nelore como o do Sr. Joãozito de Andrade. Até que um dia um bando de burocratas tipo bonachão migraram da indústria e da política para o agronegócio. O fazendeiro perdeu seu papel de antanho na criação e passaram a rotulá-lo como um caipira estupido que não sabe produzir... (saber mais veja artigos).

 

FUTURO VERMELHO DE RONDÔNIA: TUDO O QUE VOCE QUERIA SABER SOBRE A CHINA E TINHA VERGONHA DE PERGUNTAR SOBRE O MAIOR IMPORTADOR DE CARNE E SOJA DO MUNDO.

  A primeira imagem que me vem à cabeça quando penso na China e a do Panda Gigante das montanhas de Wolong e certamente de muitos leitores a figura do engraçadíssimo Jack Chan. Não obstante, a China não é só isso. É voz corrente que o chamado “milagre da China” que transformou a China milenar – um gigante asiático pobre e atrasado no maior mercado consumidor do mundo – teve sem sobra de dúvida dois grandes lideres como: Mao Zedong e Deng Xiaoping no comando para propor a abertura da Nova China. Em outubro de 1949 Mao criou a Republica Popular da China e de lá pr’a cá houve uma revolução que despertou o gigante que abriu suas portas para o mundo ainda que timidamente, mas foi só em 1978 com Xiaoping que o processo de Reforma política e Abertura fez com que os olhares do Mundo se voltassem para lá. Basta mencionar que 90% das 500 maiores empresas do planeta se fixaram em solo chinês nas últimas décadas. Hoje com uma população de mais de 1,4 bilhão de habitantes e com desenvolvimento econômico global de 10% anual e claro que tudo mundo quer ir vender seu peixe na terra do PANDA. Mesmo com toda essa abertura a China ainda é um país relativamente fechado e seu idioma uma barreira quase que intransponível para os empresários do Novo Mundo que almejam vender seus produtos neste mercado tão cobiçado atualmente. A cultura milenar chinesa sempre foi objeto de estudos séculos afora, no entanto, o resto parecia de pouco interesse até o “boom” econômico. Se a distância e o isolamento sempre foi motivo para os países deixarem de lado esse gigante comercial – agora é a hora de uma aproximação estratégica principalmente para o Brasil que se tornou seu maior parceiro comercial desembarcando lá boa parte da carne e soja que ajudaram o Brasil a se firmar como o maior produtor mundial desses dois produtos que hoje é o orgulho de nossa “brava gente brasileira”. Em que pese todo o aparato logístico que existe na China para transportar toda sua produção de maneira rápida e eficaz, não há como produzir alimentos para tanta gente – a multiplicação dos peixes será feita pelo parceiro comercial que melhor se adaptar as condições do mercado chinês que exige cada vez mais eficiência na entrega, coisa que para o Brasil se tornará no maior gargalo em pouco tempo em consequência da politica vergonhosa que se aplicou aqui ao abandonar o transporte ferroviário em favor do rodoviário para beneficiar os donos das montadoras de automóveis que queriam se instalar aqui em troca de meia-dúzia de tostões. Mas quem é esse gigante asiático que colocará Rondônia em um patamar privilegiado entre os demais Estados da federação? Rondônia está na mira deles e várias comitivas de empresários chineses visitam o Estado frequentemente. Se agronegócio vai bem por aqui, está na hora dos empresários rurais conhecerem melhor esse novo parceiro comercial que chegou ao século XXI como a segunda maior economia do planeta, atrás só dos Estados Unidos que passa por um forte período de declínio econômico e vem paulatinamente reduzindo o volume de importações não só do Brasil bem como do resto do mundo. Trata-se do fim da hegemonia americana e um soco no estomago da politica hostil adotada pela Casa Branca nas últimas décadas. A China tem hoje um quinto da população mundial o que representa 1.4 bilhão de bocas para alimentar. Secularmente conhecida por suas grandes invenções como a pólvora e a porcelana a China Imperial mergulhou profundamente em um longo período de guerras que a levou ao caos econômico e ao enfraquecimento politico caindo sobre o domínio britânico e americano no século XX. Nessa nova era de desenvolvimento a China se mostra para o mundo como uma nação aberta para o capital estrangeiro e os chineses dispostos a investirem em novos mercados fora da Ásia.

Um pouco sobre a história da China e suas cidades onde o velho e o moderno formam a nova China.

Beijing ou Pequim como é conhecida no ocidente é a capital com a famosa Praça Tiananmen, a Cidade Proibida e lá também se encontra a parte mais bem conservada da grande Muralha da China. Kummin e o portão de entrada para a antiga “Rota da Seda”. Em Xian se encontra os guerreiros de Terracota uma das maiores descobertas arqueológicas da história. São 7000 estátuas de argilas de tamanho real dos antigos guerreiros chineses feitas em homenagem ao primeiro Imperador Ying Zheng da dinastia Qin (259 a 210 a.C). A antiga Shangai é hoje uma cidade moderna com seus belíssimos prédios no estilo “Arte Decô” se tornou a “Paris do Oriente”. HangZhou se orgulha de produzir o melhor chá do país. ChengDou e aterra do Panda Gigante e também do Budha gigante. Em Datong acha-se mais de 5000 estátuas do Budha e em Lesham está a maior delas. Já em Luoyng fica o famoso templo de Shaolim o berço do Kung-fu chinês. SuzHou mundialmente conhecida como a “Veneza do Oriente” também e famosa pelo seus canais e belos jardins. LangZou é a capital da província de Guansu fica nas margens do Rio Amarelo que os chineses o chamam carinhosamente de Rio-Mãe. A cor vermelha é de preferência nacional vê-se por toda parte: nos letreiros comerciais, nas praças, cerimonias de casamentos, nas paredes da Cidade Proibida, nos palácios e nos templos além da bandeira nacional. Basta lembrar que o país ainda é conhecido fora da Ásia como a China Vermelha em consequência da guerra civil de outrora e o forte exercito vermelho que dominou a China comunista durante décadas.

 

RONDÔNIA

A “estrela do norte” como no poema de Eráclito Rodrigues que nasceu em 1909 (ex-inspetor de cargas da EFMM) ao escrever nostalgicamente sobre o fim da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré representa hoje uma verdade na vida dos cidadãos que transformaram essa terra inóspita e vazia à época num celeiro mundial de produção. A história desse estado não pode ser contada sem antes delinearmos aqui ainda que em poucas linhas - a façanha do homem para dominar esta parte da Amazônia selvagem com a construção de uma estada de ferro para explorar os seringais da região e facilitar o transporte de mercadorias e do próprio látex que era explorado na vizinha Bolívia também. Em uma mensagem via telegrafo ao jornal NEW YORK HERALD de 3 de janeiro de 1878 o mundo ficou sabendo que empresas britânicas e americanas construiriam no meio da floresta amazônica uma estrada de ferro que sangraria a selva no meio numa distancia de 400 Km para contornar o trecho encachoeirado do Rio Madeira que dificultava o movimento fluvial entre Belém do Pará e Vila Bela, capital da nova capitania de Mato Grosso na Rota do Ouro em 1731. Basta lembrar que o Bandeirante Raposo Tavares havia passado por essas “bandas” em 1648 arrastando os barcos por terra para escapar do trecho de 20 cachoeiras assassinas. Os irmãos Keller famosos engenheiros alemães desembarcaram aqui em 1867 para estudar a região para a construção da obra a pedido do governo brasileiro. Em 1872 a companhia inglesa Public Work chega a Santo Antônio e inicia a obra. Os ataques dos Índios, a malária e outras doenças tropicais fizeram com que eles desistissem da obra. Os irmãos Collins da empreiteira norte-americana P.&.T Collins chegam em 1978 e abandonam o empreendimento um ano depois deixando para atrás muito material para construção das linhas e locomotivas. Outra vez, a malária e os índios assustaram o Grupo. Em 1903 o Brasil negocia o Estado do Acre que pertencia à Bolívia em troca da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré que possibilitaria os bolivianos exportar via Oceano Pacífico. Mas somente em 1907 a obra e retomada sobre o comando do empresário Percival Farquhar que contratou nos Estados Unidos a companhia de engenharia May, Jekyll & Randoph. Farquhar adotou uma estratégia diferente dos seus antecessores, primeiro construí o moderno Hospital da Candelária e uma infraestrutura que possibilitou a criação de um núcleo urbano com casas, usina elétrica a vapor, fábrica de gelo, oficinas da ferrovia, caixas d’águas e cais para os navios que chegavam dos Estados Unidos carregados com trilhos, locomotivas, vagões, e materiais de todo o tipo para a obra, bem como trabalhadores de toda a parte do mundo como: Alemães, espanhóis, gregos, chineses, japonês, italianos, portugueses, indianos e negros da ilhas das Antilhas e Caribe. 22 mil trabalhadores trabalharam na obra que foi concluída em 5 anos (1907-1912). Estima-se que morreram aqui de 1800 a 6000 mil homens (um pr’a cada dormente segundo a lenda) que vieram pr’a cá para ganhar à época 2 dólares por dia. A crise econômica mundial de 1929 afetou severamente a E.F.M.M que passou a funcionar de forma precária ate 1931 quando os ingleses a entregam a para o governo brasileiro. Sempre com déficit em 1972 o governo substitui a ferrovia por uma rodovia. Era o fim da maior obra americana fora dos Estados Unidos e desde então está abandonada abraçada pela selva que outrora fora cortadas pelas gigantes locomotivas.

Porto Velho capital de Rondônia foi fundada por Percival Farqhuar com a criação do núcleo urbano da E.F.M.M é as demais cidades ao longo da BR-364 idealizada por Roquette Pinto seguindo o traçado da linha de telegrafo  Cuiabá-Amazonas (1907- 1915) sob a chefia do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon a quem esse estado deve seu nome. Ao longo da linha de telegrafo surgiram as primeiras cidades do Estado como: Ariquemes, Jaru, Ouro Preto, Ji-paraná e Vilhena. Na década de 70 começa, de fato, o processo de colonização de Rondônia quando o INCRA cria o primeiro projeto de assentamentos dos colonos que vinham aos milhares de todas as partes do Brasil, principalmente do Sul. Esse novo Eldorado só se transforma em Estado em 4 janeiro de 1982 deixando de fazer parte do antigo Território Federal do Guaporé. Cria-se aí as bases para esse Estado que em que pese tantas vissitudes ao longo da sua história se transforma em um celeiro de produção em 3 décadas. A visão progressista do Estado é fruto da “gente” trabalhadora que aqui se estabeleceu e não da politica conservadora que tem sido um câncer pr’a nossa gente. Rondônia tinha tudo pr’a dar errado - dominada por bando de políticos corruptos, vai na contra mão, graça a audácia do seu povo trabalhador. Parafraseando Pero Vaz de Caminha escrivão de Cabral se pode dizer que aqui se plantando tudo. E, foi isso que essa gente fez. Passou o ciclo do Ouro, da borracha, da agricultura de subsistência, do café e do cacau. Agora é a hora do boi e da soja que vem transformando o campo com sua pecuária de precisão e a sojicultora além dos padrões americanos de produção. Com crescimento acelerado a pecuária rondoniense com mais de 12 milhões de cabeças se profissionalizou, atraiu novas unidades frigorificas (já são 22) e superou o Estado do Rio Grande do Sul( o que o coloca ente o 7 maiores do Ranking) em volume de exportação de carne bovina - mesmo com insumos mais caros e fatores climáticos desfavoráveis ao fazendeiro. No entanto, isso só foi possível com a fase de mecanização pela qual o Estado está passando o que vem permitindo a implantação do sistema de integração lavoura-pecuária que se observa claramente ao longo da BR-364. Grandes extensões de pastagens degradadas se tornaram nos últimos anos em novas pastagens e campos verdejantes de soja. A industrialização rural e um fenômeno recente na região e os investimentos tem mudado a cara do Estado. Vê-se aqui e ali silos gigantescos sendo construídos nos municípios na rota da soja. Esse novo Eldorado possui cerca de cinco milhões de hectares de terras abertas prontas para a produção agrícola com custos de mecanização, adubação e irrigação relativamente baixos em função da usina de calcário localizada em Espigão do Oeste. Apesar do volume de 600 mil toneladas de soja em 2013 ser pequeno o Estado por produzir até 30 vezes mais nas próximas décadas se os preços continuarem cada vez mais atrativos, e os investimentos em infraestruturas se consolidarem como vem sendo alardeado pelo Governo, mormente em armazenagem, rodovias e ferrovias além da consolidação da hidrovia do Rio Madeira para escoar toda essa produção para o resto do Mundo. A soja do Cone Sul sempre teve problemas para chegar ao porto da capital devido às péssimas condições de trafegabilidade da BR-364. Agora, com metade dos municípios rondonienses plantando soja – em números já com uma área de cultivo superior a 180 mil hectares, o trafico pela rodovia que já e insuportável pode entrar em colapso e a produção se perder na “roça”. Não é admissível que um Estado como Rondônia com tudo que foi exposto acima e PIB na casa de 23 bilhões na mira do dragão asiático perca este mercado pelo descaso politico que a meu ver – é de fato – o problema mais grave que o Estado tem para solucionar se quiser ficar entre as 5 ou 7 estrelas mais brilhante e progressista da nossa bandeira Nacional já que é a estrelinha do Norte.

 

 

GALOPANDO NA ARTE

Sou Raquel Fernandes, nascida e criada em Belo Horizonte / MG, porém sempre com convívio com a fazenda dos meus avós paternos, em Corinto / MG. Desde pequena sempre apaixonada por cavalos, provavelmente por influência do meu avô e seu pai (meu bisavô) que fora tropeiro por Minas Gerais.

Veterinária que, após 8 anos trabalhando no campo com cavalos, resolví abrir mão da profissão para me dedicar à arte, na qual tenho o cavalo como tema principal.

Por quê o cavalo? Não sei explicar... Paixão que vem da infância...

Mas o cavalo faz parte da história da humanidade, despertando paixões em diversas pessoas. Nos tempos em que era caçado, era retratado em cavernas, nas artes rupestres, junto com outros animais. Desde então, aparece em toda a história da arte, sendo representado por vários artistas, seja em imagens de guerra, levando grandes conquistadores em seu lombo, ou simplesmente como parte do cotidiano.

Como artista, sou perfeccionista: não basta retratar um cavalo, tenho que retratar AQUELE cavalo! O trabalho tem que ganhar vida, tem que transmitir força e serenidade, tem que encantar os olhos de quem o observa!

Para conhecer melhor meus trabalhos é só acessar meu blog: artesraquelfernandes.blogspot.com.br.

Lá vocês conhecerão boa parte das minhas obras, acompanhando também a história de cada uma e o passo a passo de algumas.

Contatos:

artesraquelfernandes@gmail.com

vivo - (31) 9766 0414

claro – (31) 8333 5505

TIM – (31) 9486 9146


 

 


 

HISTÓRIA DO TOURO BACKUP

Um negócio de 2 bilhões pode ir "saco".

É um paradoxo, mas como já era de se esperar, aqueles que fizeram da raça Nelore uma grife de reputação mundial, não tardariam macular o trabalho dos visionários que foram buscá-lo na Índia. Certamente que Manuel Lemgruber ao comprar o primeiro casal de nelore num jardim zoológico em Hamburgo na Alemanha em 1877 jamais imaginou que aquela raça exótica se tornaria o maior rebanho de gado de corte do Brasil, tampouco os primeiros brasileiros a importá-lo da índia entre 1900 e 1920. Bom lembrar que os primeiros exemplares eram bem diferentes dos atuais depois do melhoramento genético que se segui ao longo destes 130 anos. Deve-se muito a caracterização do Nelore moderno ao importador Ravisio Lemos que na década de 1930 já sonhava com uma raça forte e lucrativa quando começou a expansão dos seus negócios revendendo matrizes nelores. E o que dizer do trabalho de uma vida inteira dedicada ao nelore como o do Sr. Joãozito de Andrade. Até que um dia um bando de burocratas tipo bonachão migraram da indústria e da política para o agronegócio. O fazendeiro perdeu seu papel de antanho na criação e passaram a rotulá-lo como um caipira estupido que não sabe produzir. Causou-me estranheza ouvir isso rotineiramente de uma mídia que nunca deu importância para o campo. Daí a dizer que o fazendeiro nunca tocou sua fazenda como uma empresa foi um passo. Esqueceram “overnight” que toda a matéria prima que usaram até então era produzida por eles. Agora eles os “empresários rurais” iam mudar tudo com suas “Holding, fusões e todo o “expertise” que tinham na indústria”. De fato, isso ocorreu, mas há um preço impagável no desmantelamento de uma raça que sempre foi sagrada na sua origem. O nelore mais uma vez da noite pr’o dia virou “estrela” e os leilões um show aparte. Leilões no Copa Cabana Palece e até em navios “coisa pr’a inglês ver”, no entanto, todo esse circo para esconder uma coisa bastante óbvia: uma corja de sonegadores de impostos, fraudadores de licitações, políticos corruptos e pseudo-doutores, todos tratados como “investidores” que descobriram o nelore como a “bola”da vez. Cabe lembrar que a maioria deles são donos de construtoras, bancos, frigoríficos e empresas afins que rouba nosso país há décadas. Agora, de uma hora pr’a outra, um grupo de pesquisadores  curiosos descobriram que os fazendeiros compravam “gato por lebre” na “palheta” dos campeões nacionais. O que eles vão fazer (os empresários rurais)?  Vão jogar a culpa na ABZC! Dizer que o modelo de registro genealógico é ineficaz  será o primeiro passo. Um argumento muito frágil a meu ver. Back Up famoso padreador da raça nelore é um bastardo que foi criado nas “nossas barbas” como se fosse filho do Fajardo campeão nacional que tem no seu currículo 275 mil filhos registrados na ABCZ. Teste de DNA demonstrou que uma dezena de touros tidos como “top” em centrais tinham pais desconhecidos, mas que por motivos óbvios receberam em suas genealogias genearcas famosos pela “expertise” dos supracitados empresários rurais. Essa trapalhada pode levar um negócio de quase 2 bilhões entre venda de sêmen e reprodutores pr’o saco. O touro Back Up nasceu na CFM Agropecuária e é nesse momento conturbado recordista mundial na venda de sêmen superior há 600 mil doses. Filho do Gabinete do IZ já gerou 480 mil filhos que agora não são mais netos do ilustre Fajardo da GB. Esses números por si só descortina o tamanho da encrenca para o MAPA  e a ABCZ resolverem. Nos grandes negócios quando há um “breakdown” ninguém sabe exatamente quantas pessoas foram enganadas, mas nesse caso os números são conhecidos 480 Mil e é provável que os ludibriadores saibam o nome e o endereço dos enganados que estão lá nos seus bancos de dados nas centrais de inseminação.


AROLDO TORQUATO V. DE ALMEIDA

TAMBOR& BALIZA 3D

 Ramamiro Tavares Gurge

O cavalo é realmente um animal apaixonante, e talvez, seja por esse motivo que ele consegue reunir tantas pessoas a sua volta. Não há quem não goste dele, apesar do seu tamanho e da aparente inquietação, principalmente dos garanhões, que visto de longe parece ser um animal indomável, e porque não dizer bruto, como se diz nos bretes. No entanto, quando vemos crianças montando os e realizando provas como a de 3 Tambores e Baliza esse mito cai definitivamente por terra. Pelo Brasil inteiro estamos afeito a ver centenas de pais orgulhosos vendo seus filhos dando verdadeiros shows nas pistas, até mesmo competindo com adultos de igual para igual. Embora pareça, de fato, fácil montar em um cavalo, na prática a tarefa não é tão simples. Exige uma certa habilidade e bom equilíbrio para se manter sobre o cavalo em movimento. Se bem orientado, qualquer um pode competir em provas de 3 Tambores e Baliza com poucos meses de treino, porém para ser um campeão, deve-se ter em mente que as vitórias só virão com muito trabalho e dedicação.

Os cavalo smais usados nas competições de 3T&B são da raça Quarto-de-Milha devido a sua grande velocidade num curto espaço de pista. Contudo, outras raças são utilizadas também como o Paint Horse e Apaloosa.

Os três tambores são usados dispostos na forma de um triangulo tendo 27.50 m de frente por 32m de laterais sendo que o cavaleiro é obrigado a contornar os 3 tambores no menor tempo cronometrado. Pode-se tocar nos tambores durante o percurso, mas a cada tambor que cair será acrescentado ao competidor 5s de penalidade por tambor derrubado.

Como se sabe, toda competição tem as suas regras e elas são definidas pelas associações, no caso das provas de 3T&B, são normatizadas pela NBHA (National Barrel Horse Association) c’est –à- dire: Associação Nacional do Cavalo de Tambor.

A grande maioria da provas hoje são realizadas no formato 3D que consiste basicamente em 3 divisões dentro da mesma categoria com a finalidade de premiar os competidores (aberta, amadora, jovem, feminina e Junior) nas suas colocações até o 3 primeiros lugares de cada divisão. Com isso, se pode premiar 9 competidores em cada categoria levando em conta o tempo da cada competidor dentro de cada categoria na qual ele se inscreveu. Com esse sistema, o competidor não saberá se ele será o campeão mesmo tendo conhecimento do seu tempo, mesmo porque o resultado mudará a todo instante e o resultado somente sairá na última passada.

 

VARÍOLA BOVINA POR MURILO BRUNOW F. JUNIOR

VARÍOLA BOVINA

O surgimento da Varíola Bovina no Brasil foi registrado por pesquisadores nas décadas de 50 e 70. Ocorrendo de forma esporádica nos estados da região Sudeste, sendo que na década de 90 surtos de uma enfermidade semelhante à Varíola Bovina foram relatados nas seguintes regiões: Vale do Paraíba (SP), município de Cantagalo (RJ), Zona da Mata Mineira e no Mato Grosso do Sul.

Esses surtos atingiram um grande número de propriedades, acarretando consideráveis prejuízos econômicos, devido à queda da produção leiteira; além de prejuízos sociais, com o afastamento dos ordenhadores do trabalho devido às lesões nas mãos dos mesmos.

Surtos da doença têm sido detectados no estado de Rondônia, tendo sido identificados nos municípios de Ji-Paraná, Ouro Preto D’Oeste, Campo Novo de Rondônia, Ariquemes, Cacaulândia, dentre outros; o que torna suma importância o conhecimento desta zoonose para técnicos da área agrária, produtores rurais e profissionais que atuam em saúde pública.

 

O que é a Varíola Bovina?

 

O termo “Varíola Bovina” é utilizado para descrever uma doença contagiosa caracterizada pelo aparecimento de lesões cutâneas localizadas no úbere e tetos das vacas em lactação. Causada por um vírus; afetando bovinos de diferentes faixas etárias, sabidamente vacas em lactação e bezerros em fase de amamentação.

 

Como a Varíola Bovina é transmitida?

 

A transmissão entre animais ocorre principalmente por meio das mãos dos ordenhadores ou equipamentos de ordenha mecânica. A penetração do vírus ocorre por meio de feridas nas tetas e úbere das vacas.

 

A Varíola Bovina pode ser transmitida ao homem?

 

Sim.

A doença passa de um animal contaminado para o homem quando ocorre:

 

ü Contato das mãos do ordenhador no momento da ordenha com as feridas dos úberes e tetos das vacas doentes;

 

Quais são os sintomas da Varíola Bovina?

 

Nos animais:

Nos animais, a ocorrência de sinais clínicos tem sido restrita às vacas em lactação e aos bezerros que mamam nas vacas doentes. Sendo comum nos surtos um grande número de vacas lactantes apresentarem a doença.

Nas vacas surgem pequenas lesões que evoluem para manchas, que então se transformam em vesículas e crostas escuras nos tetos e mais raramente no úbere. Essas feridas cicatrizam dentro de 15 a 20 dias.

É comum a ocorrência de mamite e infecções secundárias na vaca.

Nos bezerros as feridas aparecem na boca, no focinho e nos lábios. Porém, localizam-se principalmente na gengiva e raramente nos lábios e na região do focinho.

No homem:

Em humanos a doença se caracteriza por feridas ulcerativa e com formação de pus, principalmente nas mãos. Essas lesões se parecem com os conhecidos “furúnculos”. As feridas podem aparecer nos antebraços e face, além de febre, dor e mal-estar.


 

 

FAZENDA FAVACHO

 

 A formação de uma raça: mangalarga marchador

 

 

ANA CRISTINA NOGUEIRA CARIELO

A história das fazendas que deram início à criação do cavalo mangalarga marchador confunde-se com a história da raça e, mais ainda, com o desenvolvimento pecuário de Minas Gerais. Construindo uma vida de dedicação às atividades agropecuárias, todos que de maneira criteriosa contribuíram para seleção e aprimoramento desses animais fez do mangalarga marchador o que ele é hoje: um cavalo sem fronteiras.
A Fazenda Faracho, uma das mais antigas da região, é adquirida por João Francisco Junqueira Filho. A data de fundação e construção de sua sede não é precisa, mas acredita-se que ela tenha cerca de 250 anos. João Francisco casa-se com Maria Inácia do Espírito Santo Ferreira e juntos, tem oito filhos. Destes, dois merecem atenção especial: Francisco Antônio Junqueira e José Frausino Junqueira. José Frausino, juntamente com seu tio, Gabriel Francisco, é um dos principais personagens da história do mangalarga marchador. Sem medir esforços, trabalha pelo aperfeiçoamento da raça, de maneira rígida e criteriosa. É um dos primeiros e o mais famoso caçador de veados da família Junqueira. Desse hábito, aprende as vantagens de cavalgar em animais marchadores, por serem mais cômodos e também ágeis para atravessas rios, pular obstáculos e fazer viagens longas.
Na Fazenda Campolindo, cuja cede construída em 1870 guarda até hoje a arquitetura, mobília e objetos da época, João Bráulio Fortes Junqueira empreende várias atividades ligadas à pecuária. Responsável pela instalação da primeira fábrica de laticínios da região, desenvolvendo seu rebanho com qualidade e perfeição. Sendo grande conhecedor de cavalos, José Bráulio seleciona uma tropa refinada, de muita caracterização racial.
 

PORTAL DE ENTRADA FAZ. TRAITUBA

A Fazenda Traituba, também situada no município de Cruzília, foi construída por volta de 1827 para hospedar o Imperador D. Pedro I, que, devido aos acontecimentos políticos que marcaram seu reinado, não chegou a concretizar sua visita à Traituba. O principal garanhão da linhagem Traituba é "Pegazo, um filho do famoso Belline". A Fazenda colaborou muito para a divulgação efetiva da raça mangalarga marchador.
Ainda no sul de Minas, há a fazenda Angahy. Suas origens remontam aos fins do século XVIII, quando José Garcia Duarte, descendente de uma das legendárias ilhoas, vem se estabelecer em terras próximas da freguesia de Encruzilhada, as margens do rio de mesmo nome. Um dos sementais do criatório Angahy é o garanhão Caxias I. Esse animal, nascido e criado na Fazenda Luiziana, em Leopoldina, nos finais do século passado, deixando vários descendentes entre os rebanhos na região, implementando a marca "C", destacando sua caracterização da raça.
Entre as antigas fazendas sul-mineiras, que viriam a constituir os pilares da raça mangalarga marchador, temos a Fazenda Bela Cruz, situada à margem esquerda do rio Angaí, com sua sede construída no século XVII.
O passado da Bela Cruz é marcado por um trágico episódio. Em 13 de maio de 1833, um grupo de escravos invade a fazenda, assassinando toda a família de José Francisco e matando também um sobrinho, filho de seu irmão, o Barão de Alfenas. Depois desse horrível acontecimento, descendentes do Barão, que já tinham parte na fazenda, passaram a dirigi-la. Bela Cruz manteve a filosofia de criar os animais soltos e em pastos, mantendo a rusticidade e o andamento marchado.
Continuando o percurso pelas fazendas responsáveis pela formação do mangalarga marchador, também no sul de Minas, aqui, no município de São Vicente de Minas, a fazenda Engenho de Serra. A fazenda fez sua seleção de cavalos, visando à lida na fazenda com o gado e também as caçadas, selecionando seus animais com a intuição e esperança de quem tem o cavalo como um fiel companheiro.
Engenho de Serra, fixando as características docilidade, beleza, andamento sempre em marcha. Os garanhões Herdade, Baluarte, Seta Caxias são bases da raça.
Foi assim que os primeiros fazendeiros lançavam as bases que fazem até hoje do mangalarga marchador, um cavalo rústico e versátil, que, rasgando as fronteiras do Brasil, parte para a conquista do mercado internacional.


 

CURSO PARA NOVOS CRIADORES DA RAÇA M.MACHADOR

PROJETO M.M PARA TODOS

 

O Curso para novos criadores vem fazendo parte do projeto mangalarga marchador para todos.Idealizado pelo
presidente Magdi Shat ,tem proporcionado o acesso dos criadores de todo o pais á informação, de eventos regionais
como tambem á genetica de ponta . do projeto tambem fazem parte cursos de casqueamento e equitação além das exposiçoes regionais. árbitro unico e animais ineditos em pista e tambem a transferencia genetica.Uma fisão ampla são os cursos que oferecem uma visão ampla sobre a raça e a sua origem.
fazem parte desse conteudo os seguintes temas; historia da raça, construção e manejo de haras metodologias de julgamento,registro genealogico,nutrição, interpetração dos padroes de marcha e morfologia.ocorreno sempre nos finais de semana, aulas teoricas ás sextas e sabados
são apresentadas com cursos audiovisuais atraves dos quais os alunos tem a oportunidade de ver diversos tipos de instalação, de manejo, tipos de pastagens,e alimentos em geral,além de animais analizados região por região zootécica.na palestra sobre padrão de marcha, observa-se varias qualidades de andamento do nosso mangalarga com filmagens diferentes. durante as palestras , há uma grande troca de experiencias entre instrutores ealunos, em função ate das regioes em que criam, além de ser oportunidade ideal para tirar duvidas.aos domingos passamos então, para parte pratica
com simulaçoes de julgamentos de marchae morfologia, ultilizando animaisadultos e tambem potros.os alunos são divididos em grupos, tem a oportunidade de por em pratica o que foi visto nos dois dias anteriores e consolidar conceitos importantes para a correta analise do mangalarga marchador.recentemente teve o nivel2 do curso ,para aqueles que já participaram do primeiro e querem aprofundar conhecimentos .
os cursos para novos criadores oferecidos pela ABCCMMtem sido um sucesso para tornar, assim como mangalarga marchador, o conhecimento
sem fronteiras.
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 APRENDER BRINCANDO

Ana C. Nogueira Cariêlo

 

 

 

A familia é muito importante na criação de cavalos, seja pelo simples fato de criar, ou pelas cavalgadas, concursos
de marcha, ou provas funcionais. Muitas vezes acontece na familia uma falta de conhecimento pelo cavalo, e isso
faz com que desestimule a criação.A falta de insentivo nunca acaba deixano de lado esse interesse em criar.
Uma forma simples e eficiente de unir a familia em torno do criatório, e estimulando as crianças deis de cedo, desenvolvendo
o gosto,o amor, pelo cavalo, e nada melhor do que aproveitarmos a docilidade do nosso mangalarga marchador.
A idade ideal para uma criança começar a andar a cavalo, vai depender diretamente da maneira ou seja metodologia,
de ensino a ser empregada. Inicialmente devemos estimular o convivio com o cavalo, de forma que essa aproximação, seja
devagar e proveitosa, ou seja dano prazer a criança, em estar com o cavalo.
De acordo com a demonstração da criança, com o tempo ela estano enteressada, ai sim , pode se iniciar uma pré -equitação
insentivando a montar. Como a primeira imprenssão é a que fica , devemos pensar em tudo, fazendo com que a criança sinta segurança
e prazer em montar.Alguns acessorios basicos são de grande importancia, como botas de cano longo, evitano riscos do pé ficar preso no estribo,estribos fechados na frente . A sela deve ser bem ajustada no animal,e nunca se esquecendo, do ambiente proprio para esse primeiro contato.
A escolha do animal é importantíssimo ,pois este deve ser , castrado, de boa indole,com mais de 8 anos. o mangalarga marchador é um cavalo muito docil, de boa indole e que conquista as pessoas, seja crianças, jovens, odosos, e a convivencia com eles só faz bem , ajudando as crianças a terem confiança em si mesma , dando equilibrio e ajudano ai na formação do seu carater, e com isso semeando o gosto para novas geraçoes criadoras no futuro de mangalarga marchador.

 

 


 

 

CLÍNICA DO CAVALO MANGA-LARGA MACHADOR NOS ESTADOS UNIDOS

 
 
De 6 a 10 de abril de 2011 foi realizado em Dallas, ft worth, texas, EUA, a primeira clinica internacional
sobre andamento do cavalo mangalarga marchador, tendo como palestrante, a instrutora de equitação e tecnica
de registro da ABCCMM, Kate M C. Barcelos.O  evento de cinco dias foi um sucesso reuniu mais de 15 menbros de associação americana
de criadores de marchador. A maioria viajou mais de 1000 km para chegar a clinica. sendo que muitos levaram seus animais de treillers
O grupo de participantes variou de proprietarios  a criadores do cavalo mangalarga marchador nos EUA,alguns desses ultimos aproveitaram
para montar em um cavalo marchador pela primeira vez.Além disso , a clinica foi inteiramente filmada pelo canal , de tv americana horse tv,que irá ao ar como um dos grandes episodios de serie sobre o cavalo mangalarga marchador.O objetivo da clinica ,foi de ensinar aos criadores de MM,
como definir a marcha corretamente ,identificar os tipos de marcha, como treinar e tambem como melhorar as qualidades da marcha.
Kate abordou varios tópicos tais como a conformação e dinamica da marcha , o uso de embocaduras  e técnicas de exercicios de equitação.
 todos os participante tiveram oportunidade de montar, ate mesmo aqueles que nao tinham adiquirido , animais adultos, porque alguns criadores
trouxeram cavalos extras , para a clínica. A informação foi tanta que a turma, por unaminidade, reconheceu a nescessidade de uma outra clínica
. A partir daí , surgiu um novo , convinte , para uma segunda clínica ,que esta sendo planejada , para apróxima primavera de 2012 em
Ocala , Flórida. Este evento streitou ainda mais os laços, entre as duas associaçãoes ABCCMM e USMMA evidenciando e aquecendo o crescimento Norte Americano na criação de mangalarga marchadores.
 
 
Ana Cristina Nogueira Carielo

 

HISTÓRIA DOS ÍNDIOS ARIKEMES

Período do contato com Rondon. Onde habitavam. Quantos eram. Quem eram eles. Sua cultura. Último povoamento. Fuga e Extinção da tribo.

 

Um século depois que o sertanista e explorador Marechal Mariano Cândido da silva Rondon visitou o último aldeamento dos índios Arikemes, a história desses silvícolas da Amazônia agora extintos ainda é um capítulo obscuro para a população de uma das cidades mais importante da região Norte que leva seu nome Ariquemes e que dista 190 km da capital do Estado de Rondônia. Vê-se que, mais uma vez, o descaso das autoridades com nossa identidade cultural brasileira se repetem aqui de forma desastrosa para as próximas gerações, que seguramente jamais saberão do embate dessa tribo Arikeme com homem branco: bandeirantes, seringueiros, garimpeiros e por último os trabalhadores da comissão Rondon - uma escória de degredados que o governo de Afonso Penas os obrigou a vir abrir o traçado do “picadão” por onde passaria as linhas telegráficas ligando Cuiabá no Mato Grosso a Santo Antônio em Porto Velho, onde também estava sendo construída a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré concomitantemente lá pelos idos de 1907. A história da exploração e ocupação do vale do Jamari ocorreu por volta de 1850 quando os seringueiros se estabeleceram nos afluentes do rio Madeira: Mutum- Paraná, Jaci - Paraná, Jamari e Ji-Paraná. Mas, a região já vinha sendo explorada pelo bandeirante Raposo Tavares que andou por essas “bandas” em 1647. No entanto, o provável contato com a tribo Arikme se deu somente quando os seringueiros começaram a subir o Rio Jamari rumo a sua nascente na Serra do Pacaás-Novos. Em 1909 a comissão da linha telegráfica de Rondon explora pela primeira vez o rio Jamari na sua extensão de 400 km a partir do seu subtributário Rio Pardo. O curioso em tudo isso é que os índios Arikemes tinham sido quase que dizimados durante meio século de contato anterior com os seringalistas. No Rio Canaã já naquela época existia o Barracão Bom Futuro, onde foi construída uma estação de Telegrafo. Aqui o sertanista encontrou duas tribos: os Boca Pretas e os Ariquemes.

 

ARIQUEMES

Os boca Pretas habitavam ao logo das margens dos rios Branco e Preto e eram perseguidos pelos donos dos seringais que os expulsaram para a nascente do rio Jamari. Os Bocas Pretas eram um grupo Karipuna, e talvez sejam hoje os índios Uru –eu- Wau –Wau, que habitam na região do parque Pacaás Novos. Os Arikemes habitavam no curso do Rio Jamari e Massangana e por volta de 1911 foram atacados brutalmente pelos brancos que atearam foco na aldeia e apavoram os índios com seus rifles.

 

BORRACHA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO EM PORTO-VELHO

O dono do seringal Massangana era o Sr. Francisco de Castro e os seringais ao longo do Jamari Pertenciam aos irmãos Arruda. Aconselhado pelo Marechal Rondon o Sr. Godofredo Arruda iniciou um trabalho de contato com os Arikemes de forma pacifica. Obteve sucesso passando a conviver com eles harmoniosamente. Não obstante, os trabalhadores do seringal Massangana, após ter conseguindo a confiança dos índios Arikemes, começaram a cometer abusos contra os índios, suas famílias e sua cultura que entrou em colapso. Com a extinção das aldeias os índios passaram a viver nos barracões dos seringueiros e logo começaram a morrer com as doenças do homem branco. Em 1913 em Manaus o Marechal Rondon retira das mãos do dono do seringal Massangana índios Arikemes que haviam sido levados a força para lá. Dos cinco índios que foram entregues a Rondon três estavam completamente doentes. Eles se chamavam: Perriba, Poroiá e Antina. Os outros dois se chamavam Opuna e Patama. Quando Rondon chegou a aldeias dos Arikemes para devolvê-los as suas famílias, encontrou uma cena de horror. A aldeia havia sido destruída e os índios estavam no mais completo abandono. Ele estimou à época que os Arikemes deveriam ser no mínimo 600 índios na fase de contato com os seringalistas e agora só restavam 60 deles. Durante sua visita, Rondon encontrou de resto quatro aldeias pequenas entre o Rio Massangana e Candeias que eram chefiadas pelos (upós) caciques Titunha, Pioia e Curaki e um outro que ele disse que não viu mais que se chamava Pindura. Descrevendo o tipo de maloca usada pelos Arikemes o sertanista nos deixa saber que era uma maloca no formato de um casco de “tatu” com uma única porta central de 1.70 de altura e 60 de largura, o que nos leva a imaginar que eles tinham uma estatura mediana. É interessante notar que eles enterravam seus mortos dentro da maloca debaixo da rede do falecido. Tomava um tipo de bebida fermentada chamada de “tótó” a base de milho e mandioca moídos que era armazenada em potes de barros denominados: Buró e Icóio.

 

RIO JAMARI POR ONDE PASSOU A COMISSÃO RONDON

Sobre a cultura deles o sertanista nos faz uma revelação impar de cunho antropológico imensurável. Trata-se do Pujico: uma cabana construída exclusivamente para o ato religioso. Ele nos dá a entender que era algo como uma igreja no centro de um arraial como aqueles no inicio do descobrimento do Brasil. Dentro do Pujico Rondon se deparou com uma rede (que eles chamavam de Erembê) feita de pano de algodão de uma brancura incalculável e mantida dessa forma intencionalmente. Adornada de penas de arara vermelha e berloques de coxas polidas dispostas na forma de um triangulo num pequeno circulo. No teto acha-se pendurado couros de onça pintada esticados com varas e cheios de adornos feitos com penas de pássaros. Pedaços de madeiras usados para produzir fogo, cabaças para beber totó, machado de pedra, arcos e flechas, inclusive alguns arcos que podia ser dos índios Caripunas e Parintintins que eles seguramente haviam adquiridos durante combates. Mas o que mais chamava a atenção era mesmo a rede. Além dos restos mortais dos heróis Arikemes que eram mantidos dentro do Pujico como parte dos seus rituais religiosos. Isso faz da cultura dos índios Arikemes algo único jamais visto em nenhuma outra cultura indígena pelo mundo.

Os Arikemes apresentavam diversos aspectos de cores que iam do bronze bem definido como o do cacique Titunha ao amarelo japonês da índia Aranhô. Alguns são muito escuros ou “Avá-unás” como o jovem Opuna e outros são mais brancos ou Avá-djús como o cacique Curaki. Tinham a barriga grande. Narizes Aquilinos com uma depressão na parte superior. Olhos pequenos e muito pretos, oblíquos como na índia Aranhô que se assemelha muito ao biótipo japonês, sobrancelha rala e pouco cabelo. Mãos de tamanhos mediano e defeituosas, dedos longos e unhas como a dos índios Nhambiquaras. Pés Grandes com dedos largos e abertos e outros grossos com unhas planas. Os dentes em boas condições, embora imperfeitamente dispostos nos seus maxilares. Somente os homens furavam as orelhas e enfeitavam as com penas e outros artefatos, não perfuram nem os lábios nem as narinas. Pintam o corpo com urucum e jenipapo. Não cortavam os cabelos, bigodes ou babas até entrarem em contato com o “branco”. Tanto homens quanto mulheres usavam os cabelos compridos amarrados com fibras e usavam uma tira de algodão acima dos tornozelos. Eram muito inteligentes e aprendiam o português fácil e rápido e estavam dispostos ao contato pacifico. Alimentavam-se basicamente de milho, mandioca, bananas-de-macaco, mamão, carne de animais, aves e peixes.

 

ESTADA DE FERRO MADEIRA-MAMORÉ

Antes de serem extintos definitivamente, Rondon os assentou nas terras junto à última estação de telégrafo no Rio Jamari. Há relatos que dão conta de que os últimos Ariquemes foram levados para Porto Velho pela FUNAI – e lá os que não morrem de fome, malaria e outras enfermidades que assolavam a região foram escravizados pelos brancos até sumirem para sempre ao longo da Estada de Ferro Madeira Mamoré rumo às cachoeiras do rio Madeiras. Seria razoável pensar que os Arikeme não tenham sido extintos totalmente, mas suas aldeias e cultura. Alguns indivíduos podem ter sobrevivido e se juntado aos Karipunas (que ainda hoje resistem a invasão de suas terras) que habitavam as margens do Rio Mutum-Paraná e seus afluentes. De resto, cabe-me lembrar que, no material produzido pela comissão das linhas de telégrafos de Rondon há uma informação preciosa que jamais imaginei encontrar um dia sobre a tribo Arikeme.  Marechal Rondon relatou que um cacique da tribo temendo a extinção da tribo pediu-lhe que trouxesse um dos seus filhos para educá-lo segundo o costume dos brancos. E, ele fez isso. Matriculando o indiozinho Parriba Parakina Piuaka no colégio São Francisco e acrescenta que Parriba surpreendia a todos com sua inteligência.  Disse que ele com apenas dois anos depois de retirado da condição de miséria que vivia na aldeia já falava português perfeitamente, era gentil e educado, coisa impensável para um guri de uma tribo desconhecida pelo mundo civilizado até então. Embora tenha buscado famelicamente em milhares de fontes alguma pista do que aconteceu com o índio Parriba que deveria ter cerca de 8 a 10 anos quando Rondon o levou da aldeia no Jamari, não encontrei nenhuma evidência que ele tenha retornado para a aldeia anos depois.

Fotos IBGE

Aroldo Torquato Verissimo de Almeida

 

 

COMITIVA BOI SOBERANO: VIAGEM A SÃO VICENTE (18 MACHAS).

 

A idéia de realizar a cavalgada em mulas até São Vicente foi do cinegrafista Sérgio Antônio dos Santos, de São José do Rio Preto, com o objetivo de participar das festividades comemorativas dos 500 anos do descobrimento do Brasil, mostrando o valor do homem simples, porém valente e empreendedor, que habita o interior e aqui construiu uma das mais pujantes economias do país.

 

        O tanabiense Milton Ferreira Caires logo se entusiasmou com a idéia e convidou Aguinaldo José de Góes, o signatário, também morador em Tanabi, o qual, de início, hesitou ante a magnitude da empreitada, porém logo depois também se empolgou com a idéia, vislumbrando a oportunidade de participar de uma aventura e fazer algo em prol das nossas melhores tradições rurais e valorizar as manifestações culturais do homem do campo, como as modas de viola, a dança do catira, as Festas de São João e as Folias de Reis, hoje relegadas a inadmissível plano inferior, sufocadas pela desmedida invasão da cultura rural norte-americana, num processo que, se não for contido, acabará por nos roubar a identidade cultural e, de resto, o amor-próprio e a auto-estima, destruindo até mesmo o nosso ideal de nação.

 

            A este grupo juntou-se o nosso amigo João Roberto de Oliveira, morador no Bairro Rural da Ponte Nova, em Bálsamo, e iniciou-se, já no mês de abril de 1.999, um criterioso planejamento que permitisse a realização da cavalgada.

 

            Posteriormente, recebemos também inestimável apoio do tanabiense, hoje radicado em Campinas, Aparecido Donizete Donaire, que se revelou um grande amigo e companheiro de jornada. 

 

 

            De início, pensou-se numa comitiva de cem a cento e cinqüenta cavaleiros, ou muladeiros, para sermos mais precisos, porém tal número de pessoas, e seus respectivos animais, exigiria uma infra-estrutura de apoio muito grande e, conseqüentemente, dispendiosa, o que reclamaria patrocínio de vulto.     Ocorre, todavia, que o patrocínio implicaria numa interferência do patrocinador na organização da comitiva, no trajeto a ser percorrido, na indumentária dos muladeiros e até nas tralhas de arreio, comprometendo de maneira inaceitável a filosofia do nosso empreendimento. Por isso, resolvemos que nós mesmos bancaríamos a cavalgada, com menos integrantes, cerca de vinte, e assim fizemos.

    

             Todos os animais foram ferrados, com ferraduras especialmente confeccionadas para a viagem na cidade de Indaiatuba, ficando esse trabalho a cargo do profissional Eurípedes César Rodrigues, o “Liu”, da cidade de Colina, do nosso amigo Jorge Luiz Pascon, tradicional muladeiro da cidade de Jaborandi, e do nosso companheiro de viagem Ermano de Lima Gomes, o “Pardinho”, da cidade de Ibiporanga. Os animais foram submetidos a exame de sangue, constatando-se em todos a ausência de anemia infecciosa eqüina.

 

             Os integrantes da comitiva procuraram trajar-se de acordo com os nossos costumes e tradições genuínas, o que foi observado também no arreamento das mulas e burros, com suas tralhas repletas de argolas reluzentes, no melhor estilo campeiro. Não faltaram as capas “Ideal”, os porta-capas de vaqueta e os laços de couro na garupa. E, para completar, o cargueiro do Sr. José Batista de Souza, o “Seo Zé Pequeno”, com suas bruacas, o cavalo-madrinha com seu polaco, e o berrante, executado com maestria pelo companheiro Ylio Lopes.

 

             Na comitiva não poderia faltar uma viola, para alegrar a viagem com seus ponteios, falando direto da alma do violeiro para o coração dos companheiros de jornada. E esse violeiro não poderia ser outro, se não Nilson Freitas Assunção, o “Neno Carrero”, artista tanabiense de grande talento e sensibilidade, que encantou a todos em todos os lugares por onde passamos.

          

              Inicialmente, calculamos o trajeto em cerca de 725 quilômetros, baseando-nos em mapas, porém na realidade percorremos aproximadamente 850 quilômetros em 18 dias, sendo que paramos um dia para descansar a tropa, de sorte que a viagem durou 19 dias.

 

             Partimos do Bairro Rural da Ponte Nova, localizado entre Tanabi e Bálsamo, no dia 31 de março. Passamos por Bálsamo, Mirassol, Bady Bassitt, Potirendaba, Urupês, Marapoama, Itajobi, Itápolis, Ibitinga, Itaju, Bariri, Jaú, Barra Bonita, Igaraçu do Tietê, São Manuel, Botucatu, Conchas, Laranjal Paulista, Jumirim, Tietê, Porto Feliz, Sorocaba, Votorantim, Piedade, Tapiraí, Miracatu, Pedro de Toledo, Itariri, Peruíbe, Itanhaém, Suarão, Mongaguá, Praia Grande e chegamos, no dia 18 de abril, em São Vicente.

 

             Em todos os lugares por onde passamos fomos muito bem recebidos, literalmente com festas, sendo que em algumas cidades fomos recepcionados por comitivas de cavaleiros que iam ao nosso encontro e nos conduziam pelas ruas principais. Em outras, até as crianças eram dispensadas da escola para nos ver passar, com os peões, a tropa solta, o cargueiro e o berranteiro, para matar a saudade dos mais velhos e ensinar aos mais jovens como eram a vida e os costumes dos nossos antepassados.

 

             Quando explicávamos os objetivos da viagem, dentre os quais o de recordar e valorizar os nossos costumes e tradições e prestigiar as manifestações culturais do homem do campo, as pessoas se entusiasmavam e nos davam total apoio, exortando-nos a continuar.

 

 

              Recebemos inúmeras manifestações de apreço quando pernoitamos na cidade de Sorocaba, inclusive um documento expedido pela Câmara Municipal com votos de congratulações aos integrantes de nossa comitiva. Aquela cidade é conhecida como a capital do tropeirismo, havendo um museu e uma estátua dedicados ao tema, sendo que a tradição tropeira ali remonta ao século XVIII. O presidente da Associação dos Tropeiros de Sorocaba e demais membros daquela entidade foram nos visitar, dando-nos as boas vindas.

 

             Todavia, a homenagem que mais nos emocionou foi proporcionada por um coral da cidade de Sorocaba, que cantou para nós as mais belas páginas do cancioneiro caipira, num clima de profunda comoção.

 

             Nesta viagem alternavam-se momentos de dificuldades, por causa das estradas atuais, pavimentadas e feitas somente para veículos automotores, e momentos de rara beleza, como quando descemos a serra entre Tapiraí e Miracatu, passando por dentro do que restou da Mata Atlântica, vendo paisagens exuberantes, com florestas e córregos de água cristalina descendo as encostas.

            

              No dia seguinte, para cortar caminho, passamos por uma picada aberta dentro da mata a facão por dois habitantes locais, numa estrada antiga que fora retomada pela vegetação. Esse foi também um grande momento da nossa viagem.

 

             Bem, finalmente chegamos à cidade litorânea de Peruíbe, e daí em diante fomos até o final da viagem beirando a praia, valendo ressaltar que alguns dos integrantes da comitiva jamais tinham visto o mar, o que acrescentou mais um componente emocional à nossa viagem.

 

             No dia 18 de abril chegamos a São Vicente, fomos recebidos com festas e, após atravessar a ponte pênsil, sempre levando à frente o pavilhão nacional, desfilamos pela avenida beirando a praia e depois paramos diante da prefeitura, onde o alcaide nos cumprimentou e recepcionou oficialmente. Ali, para emoção dos presentes, nosso berranteiro, Sr. Ylio Lopes, executou um trecho do hino nacional. Em seguida, deixamos a tropa alojada no Jockey Clube e fomos nos hospedar no hotel “Palladium Belvedere”, reservado pela prefeitura para acomodar os convidados oficiais da festa, inclusive uma delegação de intelectuais portugueses que veio participar de congressos alusivos ao evento.

 

             Infelizmente, não pudemos ficar até o dia 22, pois o local destinado à tropa era totalmente inadequado, o que nos obrigaria a ficar ali todo o tempo vigiando os animais, impedindo-nos de aproveitar a estada naquela agradável cidade, de sorte que a maioria dos integrantes da comitiva resolveu vir embora.

 

             Todavia, nossa missão já fora cumprida com êxito na medida em que chegamos ao final da viagem, toda ela feita no lombo das mulas, com o que homenageamos a memória de nossos antepassados, relembramos as nossas melhores tradições campeiras, valorizamos a nossa música raiz e mostramos o valor do homem do interior, que ajudou a construir este país e tem consciência de que muito ainda há para construir.

 

             Finalmente, gostaríamos de ressaltar que nossa viagem recebeu ampla cobertura da imprensa desde a saída até a chegada, sendo que durante todo o trajeto concedemos inúmeras entrevistas para emissoras de rádio e televisão, bem como para jornais, conforme gravações em áudio e vídeo em nosso poder, além de recortes de jornal.